Amazônia e Cia oferece produtos de cestaria e de bio-jóias. A empresa, que
alia moda e natureza em perfeita combinação, foi criada a partir de uma
parceria entre a bio-designer Maria do Carmo Américo e as comunidades
ribeirinhas e vizinhas de Cametá e Mocajuba, às margens do rio Tocantins, no
nordeste do estado do Pará.
O Tocantins é um dos principais rios do Brasil. Ele percorre 2.400 km de
extensão, ao longo de quatro estados brasileiros. No Pará deságua junto ao
delta do rio Amazonas, na baia de Marajó, nas proximidades de Belém, a
capital do estado.
Carmen Américo – como é mais conhecida Maria do Carmo – é Mestre em
Ciências Ambientais e entusiasta em artesanato elaborado a partir de resíduos
do bioma amazônico. A sua paixão por este tipo de artesanato começou cedo.
Aos 17 anos foi morar fora de sua cidade natal. Assim, para resgatar a sua
identidade e promover um intercâmbio com as comunidades rurais que fizeram
parte das raízes de sua família, ela resolveu criar uma “ponte” entre estes dois
mundos.
Esta “ponte” deu origem a uma rede de relacionamentos e de troca de
conhecimentos. O artesanato surgiu como uma alternativa ecológica de
trabalho para mulheres e meninas ribeirinhas, que se capacitaram para o
tratamento de resíduos pesqueiros e para a produção de acessórios.
Portanto, a Amazônia e Cia é, mais do que uma empresa, uma ideia, uma rede
de solidariedade entre mulheres da Amazônia. O empreendimento contribui
para fortalecer a economia solidária no Baixo Amazonas. Fazem parte da rede
a Comunidade Quilombola do Segundo Distrito de Mocajuba (ARQDMO), as
associações ribeirinhas da ilha Grande de Viseu, Ilha Grande de Conceição,
Ilha de Tauaré e Ilha de Angapijó.
Atualmente são 28 mulheres treinadas, das quais 12 ativas. A ampliação do
mercado depende da continuidade da produção.
Todo o trabalho é feito artesanalmente por um processo técnico de lavagem,
que emprega apenas água, água sanitária e tingimento. O rio não é
contaminado por resíduos. As matérias-primas - como sementes, vagens,
cascas, fibras, escamas e folhas - são lavadas por vários dias em paneiros,
que são pequenas cestas de fibras vegetais, onde os ribeirinhos amazônicos
costumam guardar camarões.